sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

andando sem camisa por São Paulo

Andando sem camisa por São Paulo

Lau Furquim

Andando sem camisa em São Paulo
no ônibus não posso entrar
sem camisa vão me barrar
Sampa vai me estranhar
Tira a roupa São Paulo
empine uma pipa, brinque de catar cupim
de manda lata, mãe da rua e mãe da mula
bicicleta e figurinha
Que saudade de jogar bola valendo tubaína
rua de cima contra rua de baixo
bolinha de gude valendo por quadrante
ir ao campinho passando cortante
na linha linha da capuxeta
Agora é muro subindo
condomínio entopindo a cidade
É o arquipélago São Paulo
Que se veste mas não esconde suas chagas
uns pontos plugados no mundo
noutros,disputas por trocados miúdos imundos
Tira a roupa São Paulo
Que te quero nua em suas ruas
Suas formas, suas vidas
suas vias são idas e vindas
movimento a todo momento
Pela cidade em suas avenidas
A velocidade me leva e me pára
em seu concreto suingue suspenso
a cada quadra enquadro uma galeria
Onde a galera se enfia
Calçadas moradas, lotadas, andadas, vividas
São Paulo se pinta com tintas distintas
Tem camisa pra isso, tem camisa pr’aquilo
Aonde tem fome, tem camisa por quilo
é camisa de vênus, é camisa de força,
é camisa listrada, é camisa de marca
A roupa que te veste
é colete a prova de balas
Roupa rasgada em Londres é chic
Chinelo Havaiana em Shopping é in
Tem camisa sobrando, tem camisa faltando
Tem camisa molhando, tem camisa secando
Tem camisa estufando, tem camisa murchando
Tem camisa entrando, tem camisa saindo
Tira a roupa São Paulo
Tem camisa entrando aqui e ali
Andando sem camisa por São Paulo
Tem camisa que não está nem aí

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