quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

A Boca da Mídia - filmando o filtro



A boca da mídia - filmando o filtro

Lau Furquim

A boca da mídia
A tromba da mídia
A língua da mídia
A íngua da mídia
Um vôo que fala
O rock embola
Co’a onda que toca
Freqüente Modela
Freqüente Modela
A gente de frente,
Pro lado é circuito.
Em cima: delitooooo....
Se liga Mané!
Rio maior é mar
Sai fora da onda
Pra poder navegar
Se puder nave andar
Pra poder navegar
Num maremoto de fatos,
navego e canto BIS
Se puder navegar
num terremoto de fotos
revelo e ando BIS
No embaraço do mundo
há estacas e arames virtuais
revertendo os sinais
Canais misturados
Costumes quebrados
Carinho e assalto
Poeira e asfalto
Unpluged ligado
O Silêncio sonoro
Saído dos poros
Não nasce plugado
S’embora malaco!
O mundo é um ponto
que não fica pronto
um inteiro espaço
faltando pedaço
Lugares algures
São dados alados:
teleatos, telefatos,
teletoques, teletatos
O filtro da mídia
Deforma e Formata
O filtro da mídia
Deforma e formata
Filmado o plageado,
Cadê o que foi coado?
Filmado o plageado, Cadê o que foi coado?
A notícia não se pega
A notícia emprega
A mídia emperra
Mas faz circular.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Água Lustral
Aurélio: “Água sagrada dos antigos, a qual se obtinha extinguindo-se na água comum um tição ardente tirado das piras dos sacrifícios.

Lau Furquim (part. Paty Marinho)

O brilho que a água dá
vestiu.
Que vestido é esse ?
Ô meu!
Mas que brilho é esse?
O descarrego
O descarrego
O descarrego
O descarrego
Que brilho esta água dá? ( o descarrego)
A água que te lustrou,
que lustre é este
que a água levou?
Que água é esta?
O que a água lavou,
a água levou.
O que há, de onde vem?
O que tirou esta água?
É pura água
É pira molhada
é chama apagada
Infecta in festa
enferma interna
Ó lustre eterno,
revesa,!
O descarrego
O descarrego
O descarrego.
O descarrego
O que lustrou esta água?

Ciranda

Alegria e Dança
Nesta longa Dança
Eu vim te pegar.
No caminho: carinho!
Vou querer um ninho
Pra te namorar!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Tropeço no Nexo

Lau Furquim

É o rumo e o azimute que me fogem ...
Nos teus olhos vejo focos que me explodem!
Numa cena uma foto de um insite
De tão intenso não revela nenhum toque
Desse ato nenhum tato desse fato desse site
Orientado distraído te percebo num instante
O meu clique em sua boca me apetece, me remete
Me apronta num momento pr’adiante
Te botei na minha lente de frente
de lado de tudo que é lado
No meu rosto suado o teu seio repleto reflete
Diante de flash eterno molhado, corado
Distraído em tua cena te filmo, te clico
Te quero, te quero, te quero, tropeço no nexo
Aprumado de fato resvalo, te pego, te beijo
Te quero, te quero, te quero
Orientado distraído tropeço no nexo
Tropeço no nexo, tropeço no nexo
Distraído em tua cena te filmo, te clico
Te quero, tropeço no nexo
Orientado distraído te quero
tropeço no nexo, tropeço no nexo
Lentes Cônjuges!

Lau Furquim

Meus olhos em flashes
Imagens de você em movimento,
Tomadas em andamento
branco e preto repleto de cores,
revelação com química difusa
de uma mistura confusa...
Não a vejo em flashes
a vejo em cena: ação!
Tua imagem sublime
pequenina ampliação
Me vejo em flashes
Falta a ligação,
aquele momento onde interagem
o ato, a luz, o reflexo, o foco, a imagem.
O registro e a imagem,
falta luz, reflexo, foco... Corte!
Não sei se o enquadramento está harmonioso
Se a velocidade é compatível,
Meu enquadramento, sua cena
Seu enquadramento, meus flashes... Clic!
Nossas luzes, nossos focos
Qual é a velocidade?
Quem vai bater a nossa foto?
Eu? Você? Nós!
Há que ajustar as lentes
Precisamos de tempo...
Tempo para montar o quadro
a cena, o foco, a velocidade
Tempo para correr para o enquadramento
da foto que preparamos a cada momento
Tempo para sairmos na foto.
Nas nossas fotos.
Há album dos nossos momentos?
Qual é a nossa foto?
Em quantas saí?
Numas me cortei?
Noutras não saístes...
Em quantas me cortou?
Em quantas te cortastes?
Quanto nos cortamos!
Ah! Em muitas nós saímos perfeitos!
Sorrindo, distraídos, orientados, felizes.
Fotos com áurea, com vida...
Um quadro completo!
Com rumo, azimute
magnetismo e magnitude
Fotos com movimento
Com flores, cartas e passeios
cinemas, imagens,
filosofia e geografia
Com Amor, sexo, gozo, regozijo.
Tesão e carinho.
Fotos com casas, viagens
Praias, teatros, shows
Dos caminhos...
Do nosso laboratório!
Fotos dos nossos insites
dos nossos vislumbres
dos nossos sentimentos
das nossas verdades
de nosso crescimento
Fotos do nosso viver, do nosso estúdio
da nossa vida.
Clic na sua bochecha!
Precisamos pintar nossos estúdios
Retocar nossas fotografias.
Clic na sua bochecha!
Que nossa química nunca se acabe.
Clic na sua bochecha!
Imagens não faltarão. Cenas não faltarão. Flashes.
Tempo! Velocidade! Foco! Enquadramento!
Reflexos...
Clic na sua bochecha!
Clic em nossas bocas.
E ainda há a revelação,
a ampliação
Em um novo enquadramento
daqueles momentos
vividos como se tivessem vida própria
Enquadramento...
que ganha molduras
que tem lembranças
que contam histórias...
De saudades do futuro
Que paredes estes quadros enfeitarão?

nada dito e tanto faz

Nada dito e tanto faz

Lau Furquim

Cadê o conhecimento da informação?
E a sabedoria do conhecimento?
O que é que sei sobre a minha ação?
E o discernimento do meu pensamento?
Mal dito:
Nada feito que não visto.
Bem Dito:
Tanto visto e nada traz!
Bendito.
nada dito e tanto faz,
se dito:
donde está o front da tal da paz?
Não foi visto!
Quem disse?
Dito que não ouviste...
Viste?
Talvez, quem sabe num imprevisto?
Se não visto tudo que não
Dito disse tudo, tudo que não se despe
Nem tudo aquilo que te veste é maldito
Malvisto tudo o que ofusco
e que não é quisto.
Bendito o fundo que invisto!
É no perigo lusco que me alisto.
Por mais que corra, fuja, me distraia...
É pra rua suja que espraia o meu viço.
Visto. A imagem que me satisfaz.
Nem tudo aquilo, bicho, que se faz,
se sai falando por tudo aí rapaz
- Eu não te disse?
Então diga: de emanam as ordens
de como tudo eu tenho que fazer?
- Siga as instruções!
Arrisco
um dito cujo popular.
Há risco
naquilo tudo que se faz.
Bem dito:
não só com o dito é que se faz,
meu, Dito:
Chega de nada dito e tanto faz
Se liga por aí rapaz!

Antônio da Simone

ANTÔNIO DA SIMONE

Lau Furquim

Por não existir sinônimo absoluto
É preciso reconhecer as nuanças
Duma mesma língua.
“Que dirá” em traduções!

O que é sinônimo de quê?
O que é antônimo de quê?
Quem é sinônimo de quem?
Quem é antônimo de quem?
O Antônio da Simone ?
A Simone do Antônio?
Quem é sinônimo de quem?
Quem é antônimo de quem?
Predicado Preferido
O sujeito com seu jeito
Antônimo do Antônimo
é sinônimo do antônimo

Antônimo de Antônio
é sinônimo de Simone?
Uéh! É dialética! Ou não.
É trialética então.

Anti igual anti
oposto
anti anti
Em diante

andando sem camisa por São Paulo

Andando sem camisa por São Paulo

Lau Furquim

Andando sem camisa em São Paulo
no ônibus não posso entrar
sem camisa vão me barrar
Sampa vai me estranhar
Tira a roupa São Paulo
empine uma pipa, brinque de catar cupim
de manda lata, mãe da rua e mãe da mula
bicicleta e figurinha
Que saudade de jogar bola valendo tubaína
rua de cima contra rua de baixo
bolinha de gude valendo por quadrante
ir ao campinho passando cortante
na linha linha da capuxeta
Agora é muro subindo
condomínio entopindo a cidade
É o arquipélago São Paulo
Que se veste mas não esconde suas chagas
uns pontos plugados no mundo
noutros,disputas por trocados miúdos imundos
Tira a roupa São Paulo
Que te quero nua em suas ruas
Suas formas, suas vidas
suas vias são idas e vindas
movimento a todo momento
Pela cidade em suas avenidas
A velocidade me leva e me pára
em seu concreto suingue suspenso
a cada quadra enquadro uma galeria
Onde a galera se enfia
Calçadas moradas, lotadas, andadas, vividas
São Paulo se pinta com tintas distintas
Tem camisa pra isso, tem camisa pr’aquilo
Aonde tem fome, tem camisa por quilo
é camisa de vênus, é camisa de força,
é camisa listrada, é camisa de marca
A roupa que te veste
é colete a prova de balas
Roupa rasgada em Londres é chic
Chinelo Havaiana em Shopping é in
Tem camisa sobrando, tem camisa faltando
Tem camisa molhando, tem camisa secando
Tem camisa estufando, tem camisa murchando
Tem camisa entrando, tem camisa saindo
Tira a roupa São Paulo
Tem camisa entrando aqui e ali
Andando sem camisa por São Paulo
Tem camisa que não está nem aí

um brinde ao giro que virá

Um brinde ao giro que virá

Lau Furquim - SP/março/2007

Bebi seu corpo numa taça
Sobre o fogo e sob o céu
Ardi de amores mel e fel
Desde a luz do sol nascente
Até minguar o ciclo lunar
Você no chão do meu oeste
Sombra da luz vinda do leste
A vida vira o que virá
E não teme a morte
A vida que celebra arte
E não teme a morte
A vida vira o que virá
Água e terra mel e fel
Do barro fértil surgem flores
Ao doce amargo dos amores
Um brinde ao giro que virá
Do barro fértil surgem flores
Um brinde ao giro que virá
Se flores, te quero vaso
Se vaso, te quero casa
Se casa, te quero cama
Um brinde ao giro que virá
Ao doce amargo dos amores
Um brinde ao giro que virá